quarta-feira, 24 de junho de 2026

Fake News e Vaidade: os ataques ao São João do Mirandão saem dos bastidores e ganham as redes sociais


Poucas atitudes são tão lamentáveis quanto tentar enfraquecer um patrimônio cultural construído por toda uma comunidade apenas porque ele deixou de servir aos interesses de uma única pessoa.

Nos últimos dias, o São João do Mirandão tem sido alvo de uma sequência de episódios que ultrapassam a simples divergência de opiniões e revelam uma postura incompatível com quem verdadeiramente afirma defender a cultura popular.

Primeiro veio a disseminação de *informação falsa* sobre a suposta mudança da data do evento. Uma fake news que gerou dúvidas na população e obrigou a AMMICC a vir a público reafirmar aquilo que sempre foi público e conhecido: o São João do Mirandão aconteceria normalmente nos seus tradicionais dias de realização.

Em seguida, surgiu mais um capítulo desse roteiro já conhecido. Em uma tentativa evidente de construir uma narrativa de fracasso, foi produzido conteúdo em um dos momentos de menor movimentação do evento, acompanhado de críticas à sua realização nas datas tradicionais e questionamentos à própria ideia de tradição defendida pela comunidade.

Não satisfeito em criticar o evento, o discurso passou a exaltar reiteradamente um modelo alternativo idealizado pelo próprio crítico, promovendo simultaneamente um evento concorrente e apresentando-o como suposta evolução da tradição.

A contradição é evidente.

Quem afirma defender a cultura popular deveria celebrar a continuidade de uma festa com mais de 35 anos de história. Quem afirma defender a tradição não deveria utilizar fake news para gerar desinformação. Quem afirma defender a comunidade não deveria tentar diminuir um evento que pertence ao povo do Mirandão, e não a qualquer produtor, blogueiro ou organizador do passado.

O que se vê é uma insistente tentativa de transformar uma discussão coletiva em uma disputa de protagonismo pessoal.

O São João do Mirandão existia antes de qualquer produtor de eventos. Continuará existindo depois de qualquer produtor de eventos. Porque sua força não nasce da vontade individual de alguém, mas do trabalho coletivo de moradores, voluntários, lideranças comunitárias, patrocinadores e apoiadores que, geração após geração, mantiveram viva essa tradição.

A comunidade tem plena legitimidade para escolher os rumos do seu próprio evento. E nenhuma campanha de desinformação, nenhum vídeo oportunista e nenhuma tentativa de reescrever a história será capaz de apagar mais de três décadas de cultura, fé e pertencimento.

A maior resposta a quem tenta enfraquecer o São João do Mirandão continuará sendo a mesma: a participação do povo, a força da tradição e a certeza de que interesses pessoais jamais serão maiores do que uma comunidade inteira.

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